Eu sei que este tópico está anos atrasado, já que o CD "Ventura" já nem dá mais o que falar mas, mais uma vez aproveitando o ensejo, uso a visita do Los Hermanos a POA pra escrever sobre os caras, agora traçando um cuidadoso paralelo entre "Do Lado de Dentro", escrito por Marcelo Camelo, e um clássico da música popular brasileira, e por que não mundial, a canção magistralmente interpretada pela dupla de irmãs Sandijúnior "A Resposta de Mariquinha", também conhecida popularmente como "Abre a Porta Mariquinha".
Para melhor compreensão, esclareço que "(SJ)" significa Sandijunior e "(MC)" Marcelo Camelo.
Vamos à análise:
"Abre a porta Mariquinha!" (SJ)
"Abre essa porta" (MC)
Percebe-se nos dois versos a intenção do marido de adentrar à sua residência, sendo que esta permanece trancada pela esposa, que provavelmente trocou a fechadura ou formou algum tipo de barricada que impeça o acesso ao interior da casa.
Eu não abro não, você vem da pagodeira vai curar sua canseira bem longe do meu colchão (SJ)
Cala essa bocaque isso é coisa poucaperto do que passeieu que lavei os seus lençóissujos de tantas outras paixõesignorei as outras muitas, muitas... (MC)
Podemos sentir o ressentimento das esposas nos dois casos, ressentimento esse infundado se levarmos em consideração o fato de que seus maridos estavam apenas cumprindo com o seu papel de Macho Alfa, que é o de atrair a atenção do máximo de fêmeas possível, mas tergiverso. O que acontece aqui é que as esposas permanecem irredutíveis no seu intento de impedir a entrada de seus cônjuges.
Oh! Mariquinha não levei você comigo, Tive medo do perigo Desse tal de Ricardão (SJ)
desse castelo que eu construípra te guardar de todo maldesse universo que eu desenhei pra nós, pra nós.
Abre essa portanão se faz de mortadiz o que é que foijá que largueitudo pra tijá que eu cerqueitudo ao redorabre essa portavai, por favor (MC)
Nesse trecho podemos notar a preocupação de homens zelosos pelo bem-estar de suas esposas, e justificando esse zelo através de atitudes nobres tomadas no passado.
Eu já falei que não vou abrir a porta E peço que você volte sem fazer reclamação, Se eu abrir a porta já sei o que vou fazer, Você vai ter que gemer é no pau de macarrão (SJ)
Vai, depois liga diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui tudo que eu não quero guardar que é pra esquecer de uma só vez que esse castelo só me prendeu, viu? (MC)
Aqui fica clara a ingratidão e irredutibilidade das esposas, assim como uma agressividade desmedida (pau de macarrão?) e falta de coragem para dialogar frente-a-frente (diz pra tua irmã passar).
Nas duas canções fica claro que o marido é vítima de uma mulher louca que, provavelmente com a chegada da menopausa, desespera-se por seus hormônios como um junkie pelo seu cachimbo de crack, e acha que largando seu marido e saindo atrás de um garotão todos os seus problemas serão resolvidos como num filme francês*.
Também notamos a cultura musical de um dos novos ícones da música brasileira, Marcelo Camelo, que claramente busca referências clássicas como base para suas novas composições.
Espero continuar com as análises em breve.
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de acordo com a teoria de um amigo, a premissa básica de um filme francês é a de que pessoas na meia-idade com problemas existenciais acham que tudo se resolverá se começarem a trepar com todo mundo. Devo admitir que é uma teoria válida.